25 de abr de 2012

Procuradora diz que cotas raciais da UnB foram “um passo adiante”

Notícias STF ImprimirQuarta-feira, 25 de abril de 2012
Procuradora diz que cotas raciais da UnB foram “um passo adiante”
Citando Mahatma Gandhi, segundo o qual, quando você dá um passo adiante e obtém um avanço, está destinado a perturbar algo, a procuradora federal Indira Ernesto Silva Quaresma disse que é esse o caso das cotas raciais instituídas pioneiramente pela Universidade de Brasília (UnB) em instituições de ensino superior do país.
Em defesa das cotas, a procuradora federal, que representou no Plenário do STF a Universidade de Brasília (UnB), disse que, 124 anos depois da abolição da escravatura, o negro continua marginalizado no país, pois a ele se negaram terras, educação, acesso à riqueza. Portanto, como afirmou, a dita “democracia racial” que existiria no país ainda “é um mito”, pois todos os indicadores sociais mostram que ela não existe.
Por outro lado, segundo a procuradora, falar abertamente em racismo, no Brasil, provoca medo. Mas a UnB decidiu enfrentar essa situação, criando cotas raciais, após constatar, no início deste século, que apenas 2% dos professores e 1% de seus alunos eram negros. E isso, segundo ela, confirma apenas uma situação existente no Brasil, de ausência de negros em postos de destaque.
De acordo com Indira, a discriminação contra o negro no país ainda persiste. “Só nós negros podemos sentir isso”, afirmou. “Os olhares brasileiros identificam o negro em qualquer ambiente. O problema é de marca, não de origem”. Por isso, contestando a posição defendida pela advogada do DEM, segundo a qual é impossível identificar quem é biologicamente negro no país, ela disse que “as ciências naturais não têm supremacia sobre as ciências sociais”.
A procuradora federal observou, também, que os negros, no Brasil, se ressentem da existência de pessoas emblemáticas. “Têm destaque no futebol, na música e no narcotráfico”. Fora isso, são geralmente trabalhadores braçais, de baixo nível de instrução e, portanto, de baixa remuneração. “Mas o diploma fará a diferença de sua presença”, sustentou.
Ao contestar a acusação de que as cotas raciais seriam uma discriminação comparável à praticada pelo nazismo contra os judeus, quando Hitler tirou os judeus das universidades e escolas para jogá-los em campos de concentração, ela disse que essa é uma afirmação desrespeitosa. “A UnB tirou a nós, negros, dos campos de concentração da exclusão, e nos coloca na universidade”, pois o sistema de cotas é redistributivo, afirmou.
Ela usou o quadro da mulher no Brasil como exemplo dos avanços que a posição do negro na sociedade pode conquistar com políticas afirmativas, entre as quais as cotas raciais em universidades. Nesse sentido, disse que a mulher alcançou uma posição dentro da sociedade que era inimaginável ainda em 1960. Mesmo assim, esses avanços significativos são recentes, pois há apenas 12 anos a primeira mulher assumiu assento na Suprema Corte do País e há um ano e meio a primeira mulher assumiu a presidência do país.
FK/AD

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=205871

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