3 de mai de 2012

Polícia indicia médico acusado de injúria racial em Brasília

Polícia indicia médico acusado de injúria racial em Brasília


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Ele teria agredido verbalmente uma funcionária negra de um cinema

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BRASÍLIA - A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou nesta quarta-feira o médico Heverton Octacílio de Campos Menezes, de 62 anos, acusado de cometer injúria difamatória no último domingo, quando teria agredido verbalmente uma funcionária negra de um cinema em Brasília. Menezes será ouvido na sexta-feira, mas o delegado titular da 5.ª DP, Marco Antonio de Almeida, está convencido de que o médico ofendeu a vendedora de ingressos Marina Serafim dos Reis. Ele nega o crime, cuja pena é de 1 a 3 anos de detenção.
O caso ocorreu no domingo, por volta das 15h. Segundo a polícia, o médico tentou furar a fila na bilheteria do cinema, num shopping de Brasília. A atendente, de 25 anos, teria dito, então, que a venda de ingressos era feita por ordem de chegada e que havia pessoas na sua frente. Nesse instante, conforme depoimento da vítima, Menezes falou: "Mas é muito grossa mesmo, por isso é dessa cor. Você está no lugar errado. Seu lugar não é aqui, lidando com gente, e sim com animais. Você deveria estar morando na África, cuidando de orangotangos."
A polícia ouviu duas testemunhas, que confirmaram a versão de Marina. Uma delas contou que estava atrás da fila e viu a confusão. Ao se aproximar do guichê, teria ouvido o médico dizer à vendedora: "Olha só a carinha dela, está prontinha para ir para a África." Marina ainda entregou o bilhete ao médico. Depois começou a chorar. Ao perceberem as agressões verbais, clientes repreenderam Menezes e chamaram a segurança. O médico conseguiu escapar: deixou o local correndo, como mostram imagens das câmeras do circuito interno do shopping Liberty Mall.
— Instaurei o inquérito hoje (quarta-feira) e ele já está indiciado. O depoimento da vítima, o das testemunhas e as imagens de vídeo formam um conjunto de provas bastante robusto. Estou com minha convicção formada — disse o delegado Almeida.
Segundo o delegado, Menezes tem ficha longa na polícia do DF: desde 1994, foi acusado nove vezes por desacato, lesão corporal leve, injúria e vias de fato (agressão física que não causa lesão) — todos delitos classificados como de menor potencial ofensivo. Nas eleições de 2002, ele teria cometido crime semelhante contra uma mesária que cuidava para que idosos e deficientes tivessem preferência na fila para votar: "Isso aqui parece uma republiqueta de bananas e você a representa muito bem, sua neguinha", teria dito Menezes. A ocorrência do último domingo é a décima.
O crime de injúria está previsto no Código Penal e, quando envolve elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de idoso ou deficiente, a pena prevista sobe para detenção de 1 a 3 anos. Ainda assim, de acordo com o delegado Almeida, mesmo que condenado à pena máxima de 3 anos, o médico não ficará um dia preso. Isso porque esse tipo de condenação é punido com a prestação de serviços comunitários, o pagamento de cestas básicas ou a interdição de direitos.
O delegado explicou que a injúria difamatória é diferente do crime de racismo. Enquanto a injúria consiste numa agressão que se utiliza de elementos de cor e raça, o racismo ocorre quando há discriminação: alguém que não é atendido num restaurante, é impedido de entrar num elevador ou não recebe aumento de salário por causa da cor da pele.
O médico negou que tenha ofendido à bilheteira. Em entrevista à TV Bandeirantes, ele declarou que teria chamado a vendedora de descortês e que a reação dela e dos demais clientes na fila do cinema era "coisa do imaginário".


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