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31 de ago. de 2020

A Morte do Pantera Negra


O ator norte-americano Chadwick Boseman morreu de câncer de cólon, segundo informou seu agente Nicki Fiovarante nas redes sociais. Boseman, de 43 anos, foi o protagonista do filme de super-heróis Pantera Negra. “Foi uma honra para sua carreira dar vida ao rei T’Challa em Pantera Negra”, diz o comunicado. Boseman morreu em sua casa, em Los Angeles, na companhia da família.

“Chadwick foi diagnosticado com câncer de cólon em etapa três em 2016 e batalhou nos últimos quatro anos enquanto a etapa quatro avançava”, diz a nota. Boseman também atuou nos filmes Marshall: Igualdade e justiça, Destacamento Blood e Ma Rainey’s Black Bottom. Ele personificou Jackie Robinson, o primeiro jogador de beisebol negro a jogar nas Grandes Ligas, em 42, e o cantor de soul James Brown em Get on Up: A história de James Brown. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas considerou sua morte como uma “perda incomensurável”.

A comunidade afro-americana celebrou o simbolismo de Pantera Negra, a versão no cinema dos quadrinhos da Marvel que estreou nos Estados Unidos em 2018. Pantera Negra apareceu pela primeira vez em 1966, meses antes da organização nacionalista negra de mesmo nome. Seus autores foram Stan Lee e Jack Kirby, dois brancos que haviam criado em 1963 um grupo de mutantes, os X-Men, vítimas de ódio e discriminação. Influenciados pela efervescência daqueles anos rebeldes, no número 52 de Quarteto fantástico eles se atreveram a apresentar um super-herói negro. O sucesso foi imediato.

Boseman nasceu em 1977 em Anderson (Carolina do Sul), filho de uma enfermeira e trabalhador de uma empresa agrícola. Era o caçula de três irmãos: o do meio, dançarino, atuou no musical The Lion King e com as companhias de Martha Graham e Alvin Ailey. Sempre quis jogar basquete —era muito bom nisso—, mas depois da morte de um amigo e companheiro de equipe descobriu que também gostava de escrever: entregou suas emoções a um tiro até a morte em uma jogada. É por isso que ela escolheu estudar interpretação na Howard University, onde sua tutora foi Phylicia Rashad (The Bill Cosby Show). Rashad viu seu potencial como ator e diretor e o ajudou a entrar em um curso especial de teatro na Universidade de Oxford, uma aventura financiada por Denzel Washington.

Ao retornar da Europa, Boseman começou, já em Nova York, a dar aulas de atuação no Harlem e no Brooklyn, e a interpretar pequenas peças, enquanto dirigia alguns curtas-metragens e iniciava uma longa jornada de trabalho televisivo, com participações em episódios de séries como de Law & Order e CSI: New York. Ele já havia feito sua estreia no cinema, mas em 2014 sua carreira explodiu com suas caracterizações de Jackie Robinson (o primeiro afro-americano a jogar na Major League Baseball) e James Brown.

Na telona, Pantera Negra superou a barreira dos 700 milhões de dólares (3,8 bilhões de reais) para se transformar no terceiro filme de maior bilheteria da história dos EUA. O longa de Ryan Coogler despontou também como um fenômeno cultural, com um elenco quase inteiramente negro. Boseman interpretou o super-herói em vários filmes do popular universo cinematográfico da Marvel: Capitão América: Guerra civil (2016), Pantera Negra (2018), Vingadores: Guerra infinita (2018) e Vingadores: Ultimato (2019), a produção que bateu recordes de bilheteria.

“Você não sabe do que está sentindo falta se você não tiver a experiência. Pessoas com descendência africana, a maioria delas cresceu aceitando e amando o Homem-Aranha. Eu ainda amo o Homem-Aranha, o Incrível Hulk. Ainda tenho esses personagens que são modelos de super-heróis brancos. Você basicamente não tem escolha além de aceitar. Você pode ter criado outros super-heróis no esporte ou na politica, mas nunca há aquele super-herói renomado e aceito da mesma maneira.”


Opinião de Influenciadores Digital Negros 

Mara Gomes, psicóloga


Mara Gomes / Arquivo Pessoal
(Mara Gomes fala sobre a saúde da população negra)

 

"Estava vendo um programa do Jimmy Fallon, o apresentador americano, em que ele colocou pessoas negras para falarem o que sentiram vendo Pantera Negra. E, depois, ele (Chadwick Boseman) aparecia. Foi muito emocionante ver a reação das pessoas quando viam ele. É exatamente o que sentimos quando o filme surgiu. Uma representação positiva de uma pessoa preta, algo raro de se ver no cinema, de fortalecimento do sentimento de acolhimento entre a comunidade negra e de se ver em um lugar diferente, representado em um lugar de poder, ancestral, bonito e mágico, que era Wakanda. Ele representou todos nossos desejos de infância. Muitos adultos voltaram a ser criança, além do desejo das nossas crianças de ver um super-herói igual a elas. A morte dele nos deixa sem palavras, mesmo. Estou desde ontem (sexta-feira) muito chocada, muito triste, porque perdemos um grande legado. Nosso herói que representou a Terra que sempre quisemos viver, que sempre quisemos construir. Sempre quisemos ver a África representada desta maneira, distante dos estereótipos que foram criados, vendo uma África com riquezas, com uma comunidade negra que se apoia, que se entende. Os americanos têm um termo, 'woke', que significa estar acordando. Uma pessoa que está consciente de sua existência negra, para além dos estereótipos, é uma pessoa que está acordada. E este momento está nos pedindo para acordarmos. Muitas pessoas que não estão pensando nestas questões raciais, não digo pessoas negras, mas pessoas brancas, porque as pessoas negras estão sempre conscientes, e o quanto isso molda a nossa sociedade. A morte dele, neste momento, é isso. Parou de existir, mas deixou esse legado, de nos encontrarmos como pessoa preta, entendermos o que a nossa existência significa neste mundo para além do racismo, do estereótipo, de todas as coisas ruins. Isso me faz pensar também no filme da Beyoncé, Black Is King. Tem uma parte que ela fala que, quando não nos vemos por tanto tempo, passamos a acreditar que não existimos. E o Pantera Negra nos deu uma condição de existência, diferente da condição que nos é mostrada. Não foi só um super-herói."

 

Marcelo Carvalho, escritor

Félix Zucco / Agencia RBS

(Marcelo Carvalho criou o Observatório do Racismo)

"Ele (Chadwick Boseman) simboliza bem o que falamos sobre representatividade. Um herói que saiu da tela e inspirou a vida real. Foi um herói que as crianças começaram a admirar e a ver a possibilidade de serem heroínas na tela da televisão. Fora dela, inspirou diversos movimentos 'Wakanda', de união dos povos negros. Acho que esse é o maior legado, de falarmos sobre representatividade, nos enxergarmos como possibilidade e inspirarmos crianças. Diversos atletas, de diversos esportes, logo depois do filme, comemoravam fazendo o gesto dos Panteras Negras, crianças do mundo inteiro fazendo o gesto... É isso, a importância dessa representatividade negra que tanto brigamos. Existia, sempre, uma falta de representatividade. As crianças não tinham super-heróis negros. Quando Wakanda surge, a criançada se enxerga naquele super-herói, enxerga a possibilidade de estar neste mundo como ator, na tela. Ele conseguiu unir pessoas e comunidades em torno da causa negra. Surgiram muitos debates em torno do filme, daquela sociedade possível, negra, intelectual. De nos vermos nesses lugares, como atores, produtores, diretores, intelectuais, em um mundo construído a partir da visão negra. O mundo sempre nos enxergou como um corpo. Estávamos muito mais nas tarefas que exigiam o corpo, e não a mente. 

 

 

Fonte do texto portal El País






16 de ago. de 2020

Darcy da Mangueira

No dia 15 de agosto de 1932 nasce, no Rio de Janeiro capital, Darcy Fernandes Monteiro, que retornou ao Orum (faleceu) em 19 de maio de 2008. Grande compositor, cantor, sendo seu gênero musical o samba,   integrou a ala de compositores do Grêmio Recreativo e Estação Primeira de Mangueira. O pai de Darcy, Benedito Monteiro, o Bene, é um dos fundadores do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Unidos da Tijuca. Vivendo no mundo do samba Darcy ainda criança fundou o bloco carnavalesco Flor da Mocidade. O reconhecido talento fez Zagaia Pelado e Hélio Turco levarem Darcy para integrar a ala de compositores da Mangueira. Residiu em Inhaúma. Recebeu a medalha Pedro Ernesto, pela Câmara de Vereadores. Sua filha a cantora Deyse Monteiro, em 2011, finalizou CD prestando reverência a obra do pai ao regravar algumas de suas composições.


 



 


13 de jul. de 2020

RACISMO VIVENCIADO PELA ATIVISTA THAMIRES FORTUNATO MARTINS

NOTA DE REPÚDIO E DENÚNCIA AO PROCESSO DE RACISMO VIVENCIADO PELA ATIVISTA THAMIRES FORTUNATO MARTINS




As representações da sociedade civil organizada abaixo, em conjunto com as demais signatárias, que figuram ao final desta nota, vêm a público manifestar sua posição de apoio e solidariedade à THAMIRES FORTUNATO MARTINS, mulher negra, militante do Movimento Negro Unificado, pedagoga, cineasta e antes integrante do Levante Popular da Juventude – RJ, em repúdio e em denúncia face ao RACISMO que vivenciou em razão das ações de sua ex-companheira e sua ex-terapeuta, reiterado nos campos políticos aos quais integravam: Levante Popular da Juventude – RJ e Consulta Popular.


Os fatos tiveram início previamente à abertura processo seletivo realizado na cidade do Rio de Janeiro para o CAPS ad III Antônio Carlos Mussum, realizado pela empresa #IABAS - Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde, para a vaga de Redutora de Danos em maio de 2019.


A referida ex-terapeuta, também integrante da Consulta Popular, à época era a recrutadora responsável pela seleção mencionada acima, e apontou que Thamires Fortunato preenchia os requisitos da vaga que era voltada, preferencialmente, para pessoa negra e com sua formação acadêmica. A então terapeuta informou que a avisaria em tempo hábil para participar regularmente da seleção.


Contudo, ao momento da abertura da vaga, Thamires se encontrava em comunicação restrita pois sem celular. Assim, sua ex-terapeuta encaminhou as informações sobre a entrevista através da ex-companheira da ativista negra. Apesar de manterem contato rotineiro à época, a ex-companheira não notificou Thamires sobre a abertura da seleção e ainda submeteu sua própria candidatura à vaga.


Não obstante a ex-companheira ser mulher branca e não ter formação adequada, mesmo o perfil preferencial da vaga sendo o de pessoa negra, a ex-companheira foi estranhamente selecionada para a vaga através da recrutadora (ex-terapeuta de Thamires).


Em seguida Thamires tomou ciência do processo seletivo e de não ter sido avisada do mesmo por sua ex-companheira. Também veio ao seu conhecimento que esta mesma ex-companheira foi selecionada por sua ex-terapeuta, apesar da sua inadequação identitária e profissional, para a vaga.


Thamires Fortunato Martins denunciou tais fatos que expressam a rotina das relações que circundam as pessoas negras em uma sociedade racista, excludente e elitista, tantas vezes naturalizadas.


No caso em concreto, as agentes promotoras e reprodutoras do racismo nem ao menos se retrataram, pelo contrário, intensificaram suas ofensas, hostilidade e atitudes discriminatórias frente a Thamires, não obstante estas mesmas à época comporem as fileiras do Levante Popular da Juventude - RJ e da Consulta Popular, ambos movimentos que se propõem a incidir criticamente diante das opressões.


O Movimento Negro Unificado - seção RJ[1] e Criola[2] estabeleceram com ambas as organizações (Levante Popular da Juventude - RJ e da Consulta Popular) diálogos para demonstrar a gravidade dos acontecimentos e questionar sobre suas responsabilidades, medidas educativas e sancionatórias frente às ações de suas militantes (re)produtoras do racismo. Contudo somam-se mais de 12 (doze) meses da ocorrência dos fatos e cerca 8 (oito) meses das conversas, porém sem muito avanço.


A despeito do Levante Popular da Juventude - RJ e Consulta Popular - RJ terem admitido que suas militantes agiram (re)produzindo o racismo, até o momento as suas ações foram: por parte do Levante Popular foi comunicado que a ex-companheira de Thamires se desligou do movimento e foi lançada nota genérica sobre o acontecido; quanto a Consulta Popular não foi realizada nota pública ou qualquer outro pronunciamento ou ação.

Enquanto isto, Thamires vivenciou o desdobramento do racismo em descrédito, assédio psicológico, ameaças, violências físicas, isolamento social e político, promovidos por sua ex-companheira e sua ex-terapeuta até o culminar de sua saída do Levante Popular da Juventude - RJ e mudança do estado do Rio de Janeiro para tentar restabelecer nova rotina de vida.


Estes fatos vividos pela ativista negra estão tomados pelo racismo que forja a sociedade e os sujeitos no Brasil. Se configura enquanto exclusão, iniquidade e subalternidade se manifestando entre as pessoas e suas relações. Se manifesta nas ideias, práticas e política para a produção e manutenção de privilégios e de dominação que alimentam o próprio racismo como sistema (CARNEIRO, 2005, p.29 apud REIS, 2014).


O racismo mobiliza dispositivos que legitima privilégios, por um lado, e que naturaliza opressões, por outro. Ou segundo Lúcia Xavier “o racismo nos mata e oferece, a quem não abre mãos dos privilégios, dinheiro, boa vida, boa comida, água e terra”. Frente ao exercício de privilégios, exigimos mudanças e ações efetivas!


A presente nota consolida posição do MNU - RJ e de Criola e demais organizações, movimentos e coletivos signatários a fim de exigir, do Levante Popular da Juventude - RJ e da Consulta Popular, enfrentamento ao racismo enquanto proposição política e de transformação da vida, a partir das recomendações abaixo:


1.  Ações, em pelo menos 3 reuniões coletivas e abertas, de repúdio aos atos cometidos pelas militantes contra Thamires Fortunato Martins e anúncio das medidas de reparação e transformação promovidas;

 


2.  1. Realização de campanha por um mês em suas redes sociais e outros canais de comunicação para repúdio aos atos cometidos pelas militantes (ex-companheira e ex-terapeuta) contra Thamires Fortunato Martins, anúncio das medidas de reparação e transformação promovidas, bem como para demonstrar a necessidade do agir antirracista nas ações políticas;

3. 2.  Oferecimento de suporte jurídico e de saúde para Thamires Fortunato Martins por meio de documento escrito e endereçado à ativista;

 

4.  3. Construção/consolidação de política interna antirracista de combate a opressões e que preveja não apenas sanção a atitudes discriminatórias e de (re)produção de racismo e outras opressões, mas também ações preventivas educativas/formativas continuadas e obrigatórias para todas(os) as(os) membras(os) de ambos os movimentos;

 

5.  Que as organizações façam referência a esta nota, aderida por organizações, grupos, coletivos e instituições, durante todas as ações citadas acima.

Assinam esta nota as organizações, grupos, coletivos, instituições e ativistas:


 

Escrevem e Publicam esta nota e assinam:

-       CRIOLA

-       Movimento Negro Unificado - seção RJ

-       UNEGRO/RJ - UNIÃO DE NEGRAS E NEGROS PELA IGUALDADE.

 

Assinam:


-       CEDINE _ Conselho Estadual dos Direitos do Negro

-       ETNICAS RAIZES

-       Frente de Juristas Negras e Negros

-       Grupo Ação e Resistência

-       Nós na Luta

-       Rede das Pretas - Coletivo de Mulheres Negras da Região dos Lagos

-       Sindicato de Trabalhadoras Domésticas de Nova Iguaçu.



[1]O MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO, seção RJ, organização fundada em 1978 contra o racismo e todas as formas de intolerância, que busca incansavelmente a construção do Projeto Político de Poder para os negros neste país.

[2]CRIOLA, organização da sociedade civil fundada em 1992 e, desde então, conduzida por mulheres negras, define sua atuação com base em sua missão e visão institucionais, a partir da defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal, em combate ao racismo, ao sexismo e a lesbofobia e para a melhoria das condições de vida da população negra.


22 de jun. de 2020

NOTA DA DIREÇÃO ESTADUAL DO MNU-RJ CONTRA FAKE NEWS RACISTAS EM CAMPOS DOS GOYTACASES

NOTA DA DIREÇÃO ESTADUAL DO MNU-RJ  CONTRA FAKE NEWS RACISTAS EM CAMPOS DOS GOYTACAZES



O Movimento Negro Unificado é sinônimo de resistência no que tange aos enfrentamentos cotidianos de violência e opressão que atravessam a população negra, desde 1978. Nós do MNU-RJ  tornamos pública nossa indignação diante do caso ocorrido na seção Campos dos Goytacazes/RJ, onde Manuelli Ramos e Gilberto Coutinho, conhecidos no seio da militância como Mannu Ramos e Totinho Capoeira, foram alvos de "fake news" caluniosas disseminadas no grupo de WhatsApp do Núcleo José do Patrocínio, ligado ao partido político PSOL (partido socialismo e liberdade). 

Na ocasião, um de seus membros afirmou ter ciência de "denúncias muito sérias" de agressão à Manuelli por seu companheiro Totinho.

Ao tomarem conhecimento de tal "fake news", nossos dirigentes estaduais redigiram a "Nota Preta ao PSOL", onde apontam como foi usado por um dos membros do Núcleo estereótipos depreciativos  atribuídos à população negra,  e pedem retratação pela disseminação das "fake news" que os envolvem e depreciam seus nomes e suas imagens públicas.

Destacamos, ainda, que perpetuaram tais inverdades com objetivo de deslegitimar toda a contribuição dessas duas figuras públicas da luta antirracista, bem como a legitimidade de um ato construído coletivamente, de forma horizontal, por diversas organizações negras e antirracistas, onde o único protagonista foi o grito uníssono: "vidas negras importam!". 

Entretanto, em resposta entitulada "Nota pública do Núcleo José do Patrocínio em resposta à 'Nota Preta ao PSOL'"", emitida pelo Núcleo supramencionado, não se evidencia a
 retratação a qual as vítimas das "fake news" têm direito, bem como o texto por eles redigido, tira o foco do que foi questionado por Totinho e Manuelli em nota, silenciando a questão central de suas reivindicações.

Estes ataques dos quais foram alvos o casal Manuelli Ramos, nossa Coordenadora Estadual de Juventude do MNU-RJ e Totinho, nosso Coordenador Estadual de Formação Política do MNU-RJ, reforçam o imaginário colonial acerca dos corpos de negras/os com estereótipos de homem negro violento e agressivo, e mulher negra submissa.

A trajetória de Manuelli e Totinho tem sido marcada pelo enfrentamento cotidiano contra o racismo e demais opressões, tratando-se de quadros importantes que potencializam o histórico do movimento negro. 

É inaceitável a alegação de seus detratores ao afirmarem respeitar o Movimento Negro Unificado,  pois concomitantemente se utilizam dos estereótipos depreciativos negros contra os nossos.


Exigimos:

- Posicionamento institucional da direção estadual do partido PSOL em relação ao episódio ocorrido;
- Retratação as lamentáveis "fake news" que, como dito anteriormente, depreciam a imagem e honra de nossos dirigentes estaduais;
- E, por fim, sanções para aqueles que fizeram uso de tal "fake news", haja vista não pode ser permitido e tolerado que no campo ideológico da esquerda, tal como afirmam ser, tais práticas sejam admitidas.

Rio de Janeiro, 19 de JUNHO de 2020

DIREÇÃO ESTADUAL DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO - MNU RJ