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14 de mar. de 2019

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE ?

QUEREMOS JUSTIÇA!





Marielle Franco foi assassinada há um ano no Rio de Janeiro, enquanto era realizado em Salvador o Forum Social Mundial. Ainda não temos a conclusão das investigações, mas sabemos que há uma onda de conservadorismo tentando tirar o Brasil dos trilhos mais progressistas e de melhores indicadores de desenvolvimento humano.  Marielle foi eleita vereadora no município do Rio de Janeiro por um partido de esquerda e representava o complexo da Maré, uma das maiores favelas do estado. Lutava contra o genocídio de jovens negros e os homicídios indiscriminados dos jovens de periferias, por milícias e pelas forças de segurança do estado.

Carolina Maria de Jesus, nasceu no início de século XX. São 105 anos desde seu nascimento e pouco mais de 50 anos da visibilidade de sua obra, que ainda hoje é questionada por soberbo intelectuais da branquitude. A manutenção dos  lugares que destinam ao negros da favela é o ponto mais importante nesta guerra ideológica que se estabeleceu no país. As elites exigem seus lugares em 100% dos espaços de poder, político, social  e acadêmico e farão tudo o que estiver ao seu alcance, sempre para desqualificar a produção dos outras etnias.

O que Carolina escreveu, neste pensamento que transcrevemos, foi para Marielle, mas elas não sabiam: “Os políticos sabem que sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê seu povo oprimido.”

Assim o MNU-RJ deseja homenagear essas duas mulheres negras, neste 14 de março. Mulheres fortes e incomuns, com muitas semelhanças em suas trajetórias, oriundas de territórios com as mesmas histórias de exclusão, medo e insegurança, de onde emergem preciosas falas e lutas contra a opressão e a violação de direitos. A vitoriosa poesia de Carolina, certamente impulsiona diariamente muitas de nós, a buscarem Justiça por Marielle e Anderson.



Curta no Facebook Movimento Negro Unificado Rio





8 de mar. de 2019

Mulheres importantes para nós não estão nas fotos


Muitas Mulheres importantes para nós não estão nesta foto. Nesta e em muitas outras.


 Angela Gomes, Coordenadora Nacional de Formação do MNU; Manueli Ramos, Coordenadora Estadual de Juventura MNU-RJ; Fátima Andreia, Coordenadora Estadual MNU-RJ; Ieda Leal, Coordenadora Nacional do MNU; Margareth Ferreira, Coordenadora Estadual de Comunicação MNU-RJ - Créditos da Fotos: FanPage facebook MNU Niteroi

Ela é simbólica.

Significa o quanto tempos caminhado, sofrido, perdido e ganhado, multiplicando nosso tempo, em andanças, diálogos e litígios, protestos e atos públicos, negociações e mediações de conflitos que não queremos que se mantenham e, principalmente, comprometimento com a luta antirracista e por direitos humanos de todas as pessoas, povos e classes, e, ainda, precisamos sorrir.

Sorrir e nos apropriar da responsabilidade que é representá-las, mesmo sem procuração, autorização ou mesmo reconhecimento.

Há uma grande lição nas mensagens que o mundo tem nos dado, através da política e das nossas pequenas vitórias diante da luta cotidiana: nossa ancestralidade, toda vez que é evocada com energia e força, nos responde e diz porque estamos aqui e o nos lembra qual é a nossa verdadeira missão.

Em cadeia nacional e mundial, o que seria necessário para que tantos milhões nos ouvissem, assistissem e acompanhassem dando de si o melhor como fazem quando passa o Gandhi, o Ile Ayer, Olodum, Tuiuti ou Mangueira?

Quem viu o desfile ao vivo ou nos videos que agora rodam o mundo, com traduções do hino cantado pelos sambistas, sabe que quando o som dos timbaus invade o mundo dizendo que é hora de ouvir Marias, Mahins, Marieles e Malês, também é hora de ouvirmos os sons que ecoam dentro de nós, pretas, nos processos de Unificação das lutas antirracistas.

Todas, que estamos na luta, queremos o mesmo, dizendo em palavras, ritmos, tons e maneiras diferentes.

Alguém duvida???

Hoje, entre os sons das passeatas e palestras que faremos, ruídos de comunicação devem ser afastados e precisamos compreender profundamente umas as outras.

Quem se foi, morta pelo feminicídio, racismo ou pela política de corrupção e silenciamento, precisa ser lembrada e sua luta precisa nos contagiar e nos tornarmos unificadas e plenas.

Durante os encontros do dia, teremos reencontros, com mulheres que como nós lutam de forma aguerrida e que temos deixado de homenagear e fortalecer, por ainda reproduzirmos as velhas práticas políticas que nos foram ensinadas quando adentramos o universo masculino da luta.

Agora, essas práticas não nos são mais necessárias, rompamos com essa lógica!

Toda mulher preta é uma irmã e todas aquelas que entendem a necessidade de compartilharmos de maneira isônoma o poder, também.

Hoje, nos protestos, atos, rodas de conversa, marchar e todos os pontos onde tivermos vez e voz para falar, lembremos que a oralidade é a grande mensagem de nossa cultura ancestral que não podemos abrir mão e que os nossos sons sejam em favor dos direitos de todas nós!

É na luta que a gente se encontra.

Ase!