8 de out. de 2016

MNU NA CAMPANHA CONTRA O CANCER DE MAMA



A importância de chamar a atenção de todas as nossas militantes para a Campanha do Outubro Rosa vai muito além dos anúncios e comemorações que vemos acontecerem pelo Brasil. Temos o papel de reconstruir e ressignificar essas campanhas que não nos reconhecem como parte de uma sociedade que estamos permanentemente vitalizando. Somos nós, mulheres negras, as molas propulsoras deste país. Mas, tem sido nossa a maior parcela de sofrimento e energia despendida em busca de mudanças e reparações.
Por mais que eu, pessoalmente, anônima e totalmente perseguidora de ideais solitários seja contra usar o tons azul e rosa para se referirem as campanhas para homens e mulheres, por representarem uma reprodução dos estereótipos de gêneros que tanto lutamos para desconstruir, não há como deixar passar batida uma campanha que muda as cores dos monumentos históricos e de diversos prédios no brasil e no mundo para lembrar as mulheres que devem fazer exames periódicos.
Sonhei no  começo com mudanças de cores, minimamente pelo menos com azul para mulheres e rosa para os homens... Chamaria mais a atenção.
Mas, não rolou.
Ninguém quer saber de um esforço tão grande. Nem as feministas.
Só se fala nisto muito de vez em quando...
Então vou seguindo o fluxo e falando do Outubro Rosa mesmo...mas, no meu o Preto também será uma das cores lembradas, pois continuamos sendo o grupo mais excluido das imagens promocionais de divulgação da campanha contra o cancer de mama.
É sempre nossa a responsabilidade por divulgar em nosso próprio segmento.
Separamos uns links de leitura obrigatória para entendemos mais sobre como somos as maiores vítimas de mais essa luta desigual.

Somos o MNU e se os indicadores são conta nós, precisamos REAGIR.

Você também poderá aderir colocando a foto em seu perfil no face ou no twitter:
http://twibbon.com/support/mnu-contra-o-cancer-de-mama

Então VEM!
VEM PRA LUTA!

Links indicados:

http://blogueirasnegras.org/2014/10/07/outubro-rosa-falar-de-cancer-de-mama-tambem-e-falar-de-racismo/

http://www.ptnacamara.org.br/index.php/inicio/noticias-gerais/item/29200-outubro-rosa-benedita-alerta-que-letalidade-por-cancer-de-mama-em-negras-e-maior-e-pede-acao-com-recorte-racial

http://www.geledes.org.br/outubro-rosa-para-todas-acesso-desigual-entre-mulheres-negras-e-brancas-aos-exames-de-mama/#gs.D8o0hMo

http://institutoodara.org.br/outubro-rosa-para-todas-acesso-desigual-entre-mulheres-negras-e-brancas-aos-exames-de-mama-2/

Por Margareth Ferreira
Coordenadora de Comunicação do MNU/RJ

7 de set. de 2016

O MNU tem história

Série: Esta em nossos Jornais

Como é corrente falar atualmente no Movimento Negro: "Estamos por nossa própria conta"



E cabe a nós, conhecermos nossa militância, resgatar e valorizar nossa história, revitalizando nossa luta e comprometimento com tudo o que já foi trilhado.

Nossa história, contada por nós mesmos, curtida e compartilhada para que a visibilidade das redes sociais possibilite ao maior número possível de negras e negros no Brasil, conhecê-la e entender que nossos passos vêm de longe, mas a luta sempre está começando.

Reproduzimos a seguir uma parte da entrevista do então Deputado Marcelo Dias ao Jornal do Movimento Negro Unificado ( Jan/Fev/Março de 1991, pag 8 e 9)

"J MNU - Marcelo,  fala um pouco sobre sua trajetória no movimento negro ?
M Dias - Minha militância no MN se dá a partir de 1977, quando nós tomamos conhecimento, um grupo de jovens negros da Leopoldina,  região em que moro, tomamos conhecimento do massacre de Soweto, África do Sul, em 1976.
Aquilo faz a gente despertar para a questão racial e eu me juntei ao Grupo Axé da Leopoldina.
Era um Grupo de Teatro que desenvolvia um trabalho nas comunidades faveladas.
Em 1978, o grupo apresentou uma Peça no IPCN que relembra os dez anos da morte de Luther King.

J MNU - Marcelo,  com a penetração que você tem no meio sindical reforçada agora pelo mandato parlamentar,  você pretende também organizar seminários,  como esse da Assembléia Legislativa,  envolvendo a militância  ?
M Dias - O sindicato dos Metroviários é o único sindicato do Rio de Janeiro que tem tido uma preocupação com essa questão. Em 1987, nós organizamos um debate sobre a questão racial, Jurema foi inclusive uma das palestrantes.  Em 1988, o sindicato participou da "Grande Marcha Contra a Farsa da Abolição". De 1987 para cá,  fizemos pelo menos três encontros na categoria sobre a questão racial. É preciso que a classe trabalhadora negra comece a se assumir enquanto tal. Se os partidos não absorvem está questão,  sindicato então nem se fala, é muito difícil mesmo.
Os dirigentes sindicais tiveram uma formação dentro da esquerda tradicional,  que sempre colocou que a questão do negro seria resolvida depois da Revolução, assim como a questão da mulher.
E vimos como isto serviu para que esses movimentos fossem utilizados para os interesses dessa esquerda tradicional.
E eu acho que chegou o momento,  com essas novas lideranças que tem o movimento negro hoje, de a gente mostrar para esses partidos que ou eles vêem o negro como um segmento dirigente do processo revolucionário,  ou não se vai fazer a Revolução neste país.
Ou, se a Revolução vier a ser feita com a ausência dos negros, será apenas uma Caricatura de Revolução."


Obs: A entrevista completa está Jornal do MNU mencionado ao início